Òrúnmìlà
Sobre o Culto a Òrúnmìlà..

Antes de ver a cor da pele, lembre-se que o sangue de todos os seres humanos é vermelho! Uma alma livre não é aprisionada em disparates.. Em Òtúrá’Aláràbà Ifá nos diz que: – Kò sílè mo Ifá wà [Não há nenhuma terra que existe], Tí kò mo Ifá o [Onde ifá não seja conhecido].As palavras de Ifá são uma bênção para toda a humanidade, não é um privilégio de algumas pessoas, mas sim uma bênção para todos os seres humanos. Branco ou negro que diferença faz? Todos sentem alegrias e sofrimento da mesma forma, a única “raça” que reconheço é a humana! Discursos etnológicos ultrapassados, bem como o preconceito originado em posição geográfica, são parâmetros insignificantes que norteiam pessoas insignificantes. Os homens têm fronteiras, as Forças Vivas da Natureza e Ancestrais não as tem!

O Bàbálawó, a manipulação Orácular e Conceitos:

Òyèkú’Ogbè nos revela que: – Òrò ìkòkò [Todos os assuntos escondidos]; Ifá ni yóó yoju u rè sí gbangba o [Ifá exporá e os trará à frente]. Em síntese, a manipulação Orácular nos permite através da identificação de Odù, identificar e avaliar qualquer desequilíbrio por que possa estar passando determinada pessoa. É através da investigação e analogia que teremos então a configuração das atitudes a serem tomadas com vistas à solução do problema a ser solucionado. A solução e subseqüente retorno ao equilíbrio se darão, através da observação criteriosa das determinações prescritas no Odù bem como a devida execução do Ebó determinado no Odù que foi sacado e devidamente investigado.

É interessante acrescentar que o Odù, não é o responsável pelo “destino” ou “desequilíbrio”, más sim o agente identificador do problema, pois é através dele que o sacerdote detectará a negatividade e trará a devida solução para o problema apresentado. Então como podemos notar o Oráculo não é um simples “jogo”, más sim um poderoso instrumento de comunicação entre as energias vivas da natureza e aqueles que existem neste plano existencial, por isso acreditamos que Bàbálawo “não adivinha”, apenas sabe.. Sim sabe, por que compreende o significado da voz do destino individual e coletivo que lhes é transmitido através da simbologia Orácular.

Demanda bastante tempo de estudo bem como histamina, começar a compreender os princípios básicos que serão o sedimento de todo o domínio deste processo, ninguém se torna “Bàbálawo” da noite para o dia, são necessárias diversas etapas de crescimento e compreensão, e este também é um ponto a ser visto, pois mesmo possuindo “Isefa e Itefa” o Sacerdote tem o dever moral de se ver como o estudante realmente que é, pois “Titulo” jamais foi sinônimo de conhecimento.. Em Òdí’Òyèkú Ifá nos revela que: – Sákásáká l’omodé kékéré n ké’fá [Uma criança tem que estudar Ifá com seriedade] Podemos até comprar um livro, más jamais conseguiremos comprar a sabedoria que esteja contida dentro dele, isso não se compra, se adquire com trabalho, persistência, esforço e principalmente a tão decantada, más pouco praticada paciência[Suuru].

Já em Òtúrá’Eléjin Ifá nos diz que:
Tisé-tìyà lomodé kèkèrè fí n kó’Fá [Uma criança estuda Ifá com trabalho e sofrimento], Bó ba dàgbá tán [Quando ela crescer], Níí rì èrè e éè je o [Ela recolherá todas as recompensas]. Africanos ou brasileiros todos podem chegar a ser Sacerdotes do Ifá, desde que assim esteja determinado em seu destino, e que através da paciência, persistam e se mantenham dentro das estritas normas que regem nosso aprendizado. Em Ogbè’Até Ifá nos diz: – Njé bí a bá kà fún mi [Agora, depois que fui iniciado], Màá tùn’ra mi tè [Eu complementareiu isso com a auto-iniciação], Títè la tè mí [Eu fui iniciado], Màá tùn’ra mi tè o [Eu me re-iniciarei sozinho]. Nascemos e renascemos diariamente, sem isso estagnamos, e estagnação é algo que se deve evitar a todo custo, pois a evolução é imperativa para que se atinja a plenitude de nossa existência enquanto seres humanos e Sacerdotes. O treinamento de qualquer Awò é um processo que dura toda a vida. Sòtító, Sòdodo [Seja Verdadeiro, seja Ìntegro] Preocupa-me bastante a enxurrada de “grandes mestres”, não somos grandes em coisa alguma, somos sim, servos e filhos do “Senhor do Verbo” e a ele prestamos contas. Escutemos mais a voz da razão, pois esta na simplicidade o caminho do entendimento..

Ifá nos revela através de Òtúrá’Rerá que: – Èké ò kun’ni [Desonestidade não paga ninguém], Ìkà ò kun’mo ènìyàn [Maldade não é benéfica a ninguém], Bí èké bá n yólèé dá [Quando uma pessoa desonesta divide a sua deslealdade],
Ohun wéréwéré abénu a máa yo wo ní sise [A sua consciência o atormenta persistentemente].

Pode-se enganar a quase todos, más jamais se consegue enganar a si próprio, não conheço engano maior do que aquele que busca enganar o outro. O povo Yorùbá costuma dizer também que: – “Kókó leegun iyán; sùkù leegun àgbàdo; ká sòrò ká báa béè leegun òtító”. [O inhame é o osso do inhame pilado; a espiga de milho é o osso do milho, falar e ser visto depois da verificação é o osso da veracidade]

Entre nós, os Awòs e filhos de Òrúnmìlà, o aprendizado desprovido de compreensão é o caminho mais estreito para a negatividade. Como Awò não posso nem devo crer no infortúnio, devo sim, crer na investigação para a solução de problemas, para isso o Senhor do Verbo chama a todos, más escolhe e acolhe os seus filhos, e por assim ser, devemos ter em mente sempre que a luz que ilumina, pode ser a mesma que cega. (Òtúrá’Alákétu: T’Ifá ni ng ómmaa wò.. [Eu depositei minha confiança em Ifá..]). Òrúnmìlà fún o ire! Ogbó àtó! O dábò

Ifagbenusola